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16/10/14

Uma profissão deveras antiga

Por Drº Francisco Fábio - Diretor do Sinmed RN

Apesar de toda evolução da medicina desde os “barbeiros” que saiam de cidade em cidade "drenando" tumores e realizando “sangrias” lá na idade media, até os nossos dias quando a genética e o transplante de órgãos norteiam os rumos dessa antiga profissão; estranhamente o médico ainda é um profissional em eterno conflito com o meio e consigo mesmo. Amparado por minha pequena experiência de quase trinta anos nessa atividade e considerando minhas limitações; tento entender nossos conflitos. Talvez por haver conhecido a escassez de recursos diagnósticos e terapêuticos vigentes no interior onde comecei minha vida e muito aprendi, sempre vi na figura do médico, aquela pessoa que ao adentrar um hospital ou mesmo um lar; leva sempre consigo a esperança e alento para os que dele necessitam.

Ainda hoje, não tenho como imaginar um médico tratando mal as pessoas ou usando os seus conhecimentos científicos contra a plenitude da vida humana. Pela minha ótica, o médico deveria ser uma pessoa tranquila, instruída, asseada e transmissora de paz e confiança. Infelizmente e com pesar, constatamos que por alguns motivos ou causas não é esse o profissional que facilmente encontramos e que tanto nos faz falta atualmente (considerando-se as exceções ) . Que se passa com essa classe? Ela tem tudo para ser justificada e feliz, tem o dom (via seus conhecimentos) de curar varias doenças ou de protelar a vida daqueles portadores de graves enfermidades; fazem a alegria de vários lares quando ajudam as mães darem à luz, seus queridos bebes; enfim, qualquer classe profissional almejaria ser detentora de dons tão especiais como os que detêm a nossa classe médica.

Por que tanto estresse e conflitos afligem esses profissionais? É bem verdade que têm uma formação longa (seis anos de graduação+três a cinco de pós) e dispendiosa; será mesmo necessário o médico ter que assumir (aqui no Brasil é assim) três empregos para perceber algo que lhe dê alguma dignidade? Como transcorrerá nosso mister daqui à cinquenta anos? A medicina será toda robotizada, e assim a maquina substituirá Em parte esses profissionais? Que curiosidade me despertam essas conjecturas. O numero de processos que ameaçam os médicos crescem vertiginosamente, aqui vale um parêntese: os médicos cubanos são "ilesos” à processos, pois são ligados diretamente ao ministério da saúde ( e não ao CRM); se suspeitos de algum erro são literalmente "pescados" de volta para Cuba e trocados por outro que não pode ser incriminado pelo fato ocorrido com o substituído e já devolvido ,em outras palavras, "uma grande sacanagem” com a população. É muito difícil “dá nome aos bois" mais sei que a globalização e o imediatismo corroem os valores como respeito e dignidade. São muitas as mudanças impostas e vigentes.

Noto, porém que a nossa adaptação a essa nova realidade caminha a passos largos; o médico de hoje cobra mais qualidade de vida e respeito; haveria necessidade de médico brigar por salário quando sabemos que têm compromissos e comportamento a serem honrados? O dezoito de outubro é dia de são Lucas. Médico, considerado pelas igrejas cristãs; um dos cinco grandes evangelistas. É de sua autoria a descrição do significante e poético encontro entre Isabel a mãe de João Batista ( aquele que se vestia com peles, e alimentava-se com insetos e mel e que chegou à batizar Jesus nas águas do rio Jordão); e Maria de Nazaré a mãe de Jesus Cristo. Portanto, é motivo de alegria e até de orgulho, vermos o nosso dia (do médico) ser comemorado em tão importante data. Modéstia à parte creio que ainda sejam os médicos a presença de Deus na esperança dos que sofrem!
 

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