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19/03/14

Uma dor anual e pontual!

Por Francisco Fábio de Araujo

Acredito que pelo título deste texto, vocês já adivinham o raciocínio que tentarei desenvolver. É isso mesmo, falo na dor da decepção que nós brasileiros passamos anualmente precisamente no mês de abril, ao devolvermos aos cofres públicos quatro meses dos nossos salários dos doze meses que tem o ano; trocando em miúdos, é como se o nosso trabalho anual de janeiro a abril, a gente dedicasse à alguma causa bastante nobre e que sequencialmente víssemos ano a ano progressos e resultados positivos nessa importante tarefa que nos faria empenhar de bom grado, quatro meses de nossa renda anual.

Como se um pesadelo se transformasse num belo sonho, transitaríamos com toda segurança por nossas ruas e avenidas, poderíamos deixar nosso carro em casa e ir trabalhar de transporte publico; como seria bom desfrutar do conforto de morarmos em casas (Natal tem aprazíveis bairros residenciais) sem a necessidade de se enjaular num apartamento; imaginem se tivéssemos boas escolas para nossos filhos que nos poupassem as exorbitantes mensalidades cobradas pelos colégios e escolas maternais? E a saúde da população, Que dizer da saúde publica? Como Será que eu sendo profissional de saúde, atuante ainda, me sinto quando tenho que desembolsar dois salários mínimos e meio em valores atuais para pagar o nosso familiar plano de saúde ? Será que se a saúde publica tivesse algum respaldo ou coisa boa a oferecer, não seria eu o primeiro a me livrar desse salgado compromisso mensal?

Pois bem meus amigos vêm dai a minha e a sua indignação em vermos o nosso suado dinheiro ser recolhido anualmente e sumir igual a “fumaça no ar"; a gente pode até Tentar aplacar a nossa a decepção, absorvendo as desculpas do governo federal quando diz que estar fazendo uma ampla distribuição de rendas, mas até para levarmos em conta essa "expediente" alegado pelo governo, é fácil constatar que essa alardeada distribuição de rendas que já vem há anos, não parece haver surtido nenhum efeito, pois a redução expressiva da criminalidade e violência que seria considerada o produto final e positivo esperado pela população e advinda desses investimentos, ao invés de baixar os seus níveis , sobem vertiginosamente ano a ano. Enfim, onde estar sendo empregado todo esse dinheiro arrecadado anualmente?

Chega dessa política de dá pão e circo, tão antiga quanto o império romano, ao povo não interessa belos estádios de futebol, nem jogos de copa do mundo ( cujos ingressos estão caríssimos ), nem tão poucos esmolas camufladas em bolsa pra isso ou aquilo, o povo quer saúde, segurança para transitar livremente, fazer cursos profissionalizantes que lhes dê trabalho digno. “ Esse luto” que envolve o contribuinte brasileiro todo mês de abril, até que os canadenses, os franceses, os alemães poderiam sentir já que recolhem altas somas de impostos (igual à genteaqui), no entanto eles repassam o “ seu suor" satisfeitos e felizes, já que têm excelentes escolas gratuitas para seus filhos, uma saúde de qualidade sem ser via planos privados de saúde, e o que acho mais importante: a liberdade e a segurança de transitar livremente de transporte publico seguro, ou à pé ou mesmo de bicicleta.

Quando será que nos brasileiros com achegada desse triste mês do assalto aos nossos bolsos, poderemos absorver e transmitir a alegria que emana da canção" As cores de abril" ainda tão bela e composta por Vinicius e Toquinho nos anos oitenta?

 

Francisco Fábio de Araujo Batista.

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