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07/10/14

Taí um importante ato!

Por Francisco Fábio de Araujo Batista

Crie-me numa pequena cidade do interior e sempre achava diferente o dia das eleições, parecia dia de festa, as ruas ficavam cheias de pessoas, chegavam kombis e até mesmo caminhões trazendo os eleitores da zona rural, sempre acordávamos muito cedo pois meu pai eterno presidente de secção eleitoral, sempre se barbeava e saia todo engravatado para cumprir a sua missão de cidadão. Ainda lembro o orgulho que senti quando fui votar a primeira vez para presidente da republica com a queda definitiva da ditadura militar e empolgado com a campanha "diretas já". Sempre gostei do novo, do inusitado; achei muito bacana vê um metalúrgico, homem do povo, que falava "soprado" e com erros de concordância, presidi a republica do nosso pais( isso no seu primeiro mandato ); relutei contra o preconceito de colegas de trabalho (médicos e mesmo ASG) , explicando que o governo não depende só do candidato mas também da equipe que o assisti na difícil função de governar. Enfim, chegamos à mais um pleito, a diversidade de opção é grande e tem de tudo: corruptos e "fichas sujas" querendo burlar a lei e "ganha no grito" a possibilidade de ocupar uma cadeira no poder legislativo, oligarquias ou mesmo políticos medíocres querendo perpetuar a "confortável " e muita bem remunerada função de "representante do povo" com a apresentação dos próprios filhos muitas vezes ainda sem nenhuma formação moral e ou acadêmica, como o candidato ideal para o disputado cargo( fato esse que se o nosso Brasil fosse um pais sério, seria proibido esse "nepotismo") sem esquecer a leva de candidatos medíocres sem nenhuma proposta ou formação que os qualifique para tal, ou mesmo vereadores que "fazem o se colou" (já que nada perdem, caso fracassem no pleito, reassumem na câmara de vereadores), tentando "alçar vôos mais altos", tantos absurdos e "presepadas" que só mesmo a arcaica conduta ou condição do " voto obrigatório " nos faz comparecer às urnas. Pois bem, chegou as eleições de 2014, temos um pais golpeado e esfolado por uma carga tributaria altíssima sem nenhum retorno consistente que justifique esses números já que temos que "comprar por fora" segurança, educação e saúde. O povo está atordoado e maltratado pela violência a impunidade e a corrupção; a população está temerosa até de sair para desfrutar algum laser. Que adianta a candidata Dilma argumentar que milhares de pessoas "engrossaram" a "faixa da classe media" se elas mesmas não podem usufruir das benesses que uma melhor renda lhes proporciona já que a violência não permite esse desfrute? Na verdade estamos perplexos e altamente desconfiados com a classe política, as promessas são fartas e generosas, mas "gato escaldado tem medo de agua fria". Torço que essas eleições nos traga melhorias concretas na área da saúde e segurança, sem esses diferenciais, qualquer argumentação tipo distribuição de rendas, migrações entre classes sociais e alhures, não convencem. Eu particularmente creio que o poder não pode e nem deve ser privatizado por grupo ou partido, a alternância e a renovação dos mandatários é primordial para a democracia. Concordemos que apesar de toda facilidade e rapidez com que são realizadas e apuradas as eleições aqui em nosso país, o "votar ", o ato de escolher os nossos representantes retirados de uma classe tão desacreditada, é um difícil e importante ato.


Francisco Fábio de Araujo Batista. Medico e diretor do SINMED/RN. Fone:99977794  

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