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05/06/13

Será bonita a festa, pá?

Por Francisco Fábio de Araujo Batista - Médico e diretor do Sinmed RN

 Muitos e antigos são os erros que nos empobrecem ou nos fazem sofrer, praticados por governantes e gestores cegos pelo poder e o pior, usando o dinheiro alheio, o erário público. Como esquecer o que foi gasto com a construção da rodovia Transamazônica (nos anos setenta) que hoje salvo alguns trechos daqui do nordeste conservados, é subutilizada e destruída onde ela seria importante, ou seja, no norte do país; como esquecer as campanhas informativas (de primeiros socorros há 13 anos) ou mais recentemente sobre a informação educação sexual nas escolas onde se gastou rios de dinheiro sem um objetivo planejado ou fim plenamente alcançado ( toneladas de materiais impressos foram descartados após constatação de erros no texto). Pois bem, estamos embarcando em mais uma "sangria" do erário com resultado incerto, que é esta importação de médicos (o governo já se "mancou" com os cubanos, agora fala nos europeus) sem a revalidação devida dos diplomados que é cobrada em todos os países sérios do mundo moderno. Não resta dúvida que a questão "falta de médicos nas cidades do interior" é algo real que deve ser resolvido, mas não do modo pensado pelo governo o qual nos trará mais ônus do que bônus já que terá efeitos adversos não esperados, explicando melhor: Quão inocentes são esses médicos europeus que aceitarão trabalhar ou "por a mão" em pacientes graves sem as devidas condições de equipamentos e ou subsídios necessários para escaparem de um comprometimento ou processo judicial devido à má assistência prestada naquele ato médico? Será que o prefeito irá dividir a culpa com eles ou "comprará" os familiares no sentido calarem-se e aceitar qualquer atendimento ou conduta que não tenha alcançado o resultado esperado pelos parentes do doente? Eles (os médicos em questão) estão assim tão necessitados em seus países de origem ou tão curiosos para conhecerem o novo mundo a ponto de aceitarem e acreditar em propostas financeiras de gestores brasileiros, deixando pra trás família o país de origem etc; e embarcar sem pestanejar num vinculo empregatício inseguro e suspeito só porque os prefeitos necessitam deles para pô-los à frente de uma equipe de PFS e não perderem as verbas advindas deste convênio, não pensarão eles: Por que os médicos de lá não querem assumir esses postos? Será cobrado desses esculápios egressos do velho mundo um tempo mínimo ou máximo de estadia aqui em nosso país? Sim porque se eles virão por curiosidade ou pra ficar alguns meses (passar uma chuva como aqui dizemos ) será mais uma despesa(assalto aos nossos bolsos) desnecessária; no entanto se ficarem por mais de quatro anos, alguns provavelmente serão os futuros prefeitos dos municípios que os acolheram, e os "candidatos do esquema" aceitarão esses intrusos que fativelmente lhes usurparão o cargo almejado? Consideremos ainda, as possibilidades de problemas com o clima, com a alimentação, com o manuseio e tratamento das patologias próprias da região as quais serão inseridas e desconhecidas prá eles até então; Quantos serão por cidade? Trarão noivas e ou esposas? Enfim, uma gama de pontos e pré-requisitos que se forem analisados seria bem mais fácil investir na conquista da grande massa médicos que já dispomos totalmente pronta para o trabalho, ofertando estabilidade profissional (através da implantação da carreira médica (aos moldes de juízes ou dos médicos da extinta fundação SESP), e disponibilizando hospitais equipados e adequados ao pleno exercício da atividade Profissional. Mas, Pensando bem, também será uma boa para os amantes das novas ideias (de vanguarda) peculiares ao povo europeu, para não dizer que haverá um permanente laboratório da língua espanhola (sendo eles espanhóis), mas, não esquecendo nossos ancestrais portugueses, será que passaremos por uma mini recolonização ibérica? Quantas de nossas raparigas cairão de amores pelos mancebos do além-mar? Será que após alguns anos da vinda desses dez mil profissionais estrangeiros, poderemos dizer o que Chico Buarque cantou sobre a "revolução dos cravos" nos anos setenta: foi bonita a festa pá, Fiquei contente.! Isso só o tempo dirá.

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