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13/05/13

Pimenta no Olho Alheio é Colírio

Por Francisco Fábio de Araujo Batista - médico e diretor do Sinmed

É uma frase que enaltece o egoísmo, traduzindo: para mim e minha família, o melhor; os outros que se virem com os meus refugos. Em outras palavras, equivale à decisão do governo federal (pelo menos foi o que a ministra I. Salvatti anunciou à imprensa) em importar médicos do MERCOSUL inclusive de Cuba (a ilha de Fidel). Realmente a saúde publica no nosso país está precisando de socorro urgentemente; isso tanto no interior como nas grandes cidades. Digo isso do alto dos meus vinte e cinco anos dedicados ao serviço público (doze no interior). A medicina praticada no interior do estado no passado ( há dezoito anos), a despeito do incremento da tecnologia e do aumento do números de médicos, surpreendentemente piorou. Lembro que no surto do cólera nos anos 90, em Serra Negra (R/N), a Fundação SESP em parceria com a SESAP instalou um serviço de apoio aos infectados, lembro que em Açu(cidade do RN) havia uma equipe completa e permanente do SESP que realizava cirurgias de urgência e eletivas, sem falar na assistência ao doente crônico, e hoje que dizer? Nada tem segmento, será por falta de médicos, morreram sem substituição tantos médicos assim? Médicos e escolas médicas têm bastante ( somos o 2ª no mundo, perdemos pra Índia) Falta sim, estimulo e condições de trabalho. É bem verdade que a população está da cada vez mais informada dos seus direitos e das patologias que as acomete, (Dr. Google tudo informa e ensina tudo). É inegável que aquela geração de médicos que heroicamente punham as suas cabeças à forca e aqueles pacientes que acreditavam nas nossas condutas cegamente, infelizmente sumiram. Certamente se o SUS ( o maior plano de saúde do país) funcionasse com um corpo de servidores bem estimulados e honrados pelo poder público, traria a diferença tão esperada. Ilusão é tentar seduzir médicos (brasileiros ou estrangeiros) para se arriscarem no interior por R$: 20.000,00 sem nenhum vinculo empregatício, à mercê de processos ou de agressões várias; só aqueles (las) bem dormidos e perfumados , que povoam os fofos e asseados gabinetes das repartições publicas, têm capacidade de imaginar e se iludir que conseguirão fazerem os outros aceitarem tudo como eles querem . O PFS (cartão postal do sistema de saúde Cubano) foi implantado aqui há alguns anos, mas o único benefício que trouxe até agora foi para a classe medica, já que elevou de algum modo o nível salarial daqueles profissionais. Insensatez é correr de um extremo ao outro das possibilidades como estão a fazer os gestores, algo sem precedentes no surreal relacionamento poder publico / população, que é cogitar importar médicos falando outra língua e formados em outras realidades sócio culturais, alheios aos nossos males e mazelas. É bom lembrar que importar médicos é diferente de importar vacinas ou robôres, eles (os médicos) têm arbítrio, aspirações e temores. Chega de pensar que tudo é aceitável quando se lida com a pobreza, ou acreditar que os outros farão tudo como exatamente planejamos. Enfim, não seria mais fácil oferecer aos médicos daqui salários dignos respaldados por um vinculo empregatício solido e condições de trabalho que permitissem interiorizá-los?Eis outro dica positiva: que tal recriar a saúde pública nos moldes da antiga fundação SESP onde o médico iniciava sua carreira em qualquer cidadezinha (Só clinicando) do interior e vinha crescendo em nível de complexidade e atuação (como se fora carreira de estado), mantendo-se a dedicação exclusiva? Não esqueçamos que a medicina cubana é de caráter preventivo e não curativo como a nossa, para chegarmos à prevenção (em Cuba se atropelar tudo por está sob o regime autoritário) temos que suplantar a fase da medicina curativa que tem como pré-requisitos: saneamento, imunização, redução do analfabetismo etc. A Europa não é aqui, estamos mais pro Haiti. É bom lembrar que aqui no Brasil ainda se morre de parto por falta de assistência, ainda se morre de uma “queda de moto” no interior à falta de médico que faça o diagnostico rápido duma ruptura de baço ou fígado, se morre desidratado ou de hemorragia aguda. Eles (los hermanos ) darão conta da urgência que por ventura lhes cheguem ? Lá em Cuba tudo se pode (o doutor é o estado), aqui se observa o estado de direito. D’uma coisa eu sei: o cubano (igual a nós) foi agraciado com a miscigenação com o africano, portanto têm musicalidade e alegria por natureza; na pior das hipóteses, “rolará” entre a gente um sambinha mesclado com salsa ou merengue, regados com cachaça e quem sabe um rico charuto cubano. 
 

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