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21/01/14

Padrão FIFA X Padrão local

Por Fco Fábio de Araujo Batista - Médico e diretor do Sinmed RN

Finalmente chegou o ano de 2014, ano da copa do mundo em nosso Brasil. Para um país que tem uma tradição futebolística como o nosso nada mais desejado e gratificante, um sonho que custou caro ao erário publico e que também como todo sonho, gera muita fantasia e controversas. Como vivo numa capital nordestina que sediará jogos, vou dirigir “um olhar” exatamente para nossa cidade do Natal. Sem sombras de dúvidas, uma bela cidade litorânea essa morada do sol, outrora um dos principais destinos do turista europeu que aqui costumavam deixar sua poderosa moeda diluída entre passeios, restaurantes, boates, etc. Creio que a mesma sensação de curiosidade misturada com indignação que sinto ante a majestosa construção da “Arena das Dunas”, sintam as pessoas que vivem, por exemplo, em Manaus (ao se depararem com o estádio de lá) apesar de fica tão distante daqui. Pois cada vez que paro para comparar a situação do Brasil como sede da copa do mundo e, por exemplo, a do Japão (bastante judiado por terremotos e problemas com suas usinas) que sediará a próxima, concluo: que contrassenso, que dificuldade para um país como o nosso pegar todo “o lixo do descaso e da corrupção e esconder debaixo do tapete” e sobre esse mesmo tapete ( à camuflar o antigo )pôr um outro, vermelho e cheio de pompas, para ser o anfitrião de tão importante evento mundial. Estou bastante esperançoso que esse “choque” cultural ou aculturamento que sofreremos com esse advento, mudem os nossos hábitos e as nossas condutas, principalmente dos nossos gestores e políticos. Triste mesmo é se pensar nas condições que se nos são oferecidas quanto o assunto é saúde e segurança publica; imagine um visitante sair d’uma mega estrutura como o estádio recém-construído e adentrar o Walfredo Gurgel com as já tão conhecidas macas espalhadas pelos corredores infestados pelo forte cheiro de secreções humanas, mas, isso não pode acontecer? Infelizmente pode, pois haverá primeiros socorros na área própria do estádio, mas situações adversas e urgentes podem ocorrer que se faça necessário uma intervenção que comporte várias especialidades médicas; outra situação bastante chata é se repetir o que sempre vemos nos nossos jornais locais diariamente, turistas muitas vezes na primeira visita à nossa cidade serem atacados por ladrões e sofrerem até lesão corporal, mas isso não acontecerá o efetivo será reforçado(assim esperamos ) mas, tudo é possível numa cidade que diferentemente da maioria das cidades europeias onde você vira a noite andando à pé, não é mais confiável caminhar duas quadras para se comprar algo, já que o risco de assalto é eminente; e não esqueçamos que a nossa carga tributaria se compara à países como o Canadá, só que lá se vê onde o dinheiro está sendo aplicado. Em contra partida (motivada pelo “fator copa do mundo”), a buraqueira das ruas estar sendo tapada, a manta viária estar sendo incrementada, trens novos chegarão; enfim melhoramentos(pelo menos isso) à vista. Mas volto a argumentar, questões pétreas relativas ao ser humano como assistência à saúde e segurança para o cidadão poder ir e vir, parece que não sofrerão o impacto tão esperado (e que certamente seria um diferencial importante pro resto de nossas vidas ) desse veloz e elegante “trem bala” que indiferentemente passará (tal qual outrora o “Orient Express” cortava célere, áreas pobre da Ásia em seu trajeto entre Paris e Istambul), mas que aqui receberá o nome de “copa do mundo”.

 
Francisco Fabio de Araujo Batista- médico e diretor do SINMED/RN. Fone:84-99977794

 

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