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06/03/13

Muito se Fala pouco se Diz de Concreto.

Por Francisco Fábio de Araujo Batista - médico e diretor do Sinmed

É isso mesmo, é assim que nós coadjuvantes nos diversos segmentos do grande palco da vida, produtos da globalização, agimos hoje, articulamos muito acerca do que nos é perguntado e pouco dizemos de substancial ou produtivo. Faço essa observação por acompanha talvez não tão perto como devesse, mas com bastante interesse, o “calvário” que trilha a saúde publica do nosso estado. Trabalho como servidor da saúde em um dos grandes hospitais de nossa cidade, o “Hospital Santa Catarina” situado na “zona norte”; conheço a capacidade e a dedicação dos funcionários daquela casa, infelizmente situações como a falta de assistência nas cidades do interior do estado e a falta de funcionários nos chamados grandes hospitais, inclusive de médicos, não permitem uma boa assistência como a população merece e exige; só para “reforçar” o descaso e desinteresse do governo com a população, lembremos que a ortopedia daquele nosocômio foi fechada há algum tempo e o serviço urgência pediátrica ha vários meses só funciona a metade do mês à falta de pediatras.( já esgotou toda a reserva de concursados e pouquíssimos assumiram a função). É ai que se manifestam o descompromisso e a má fé da maioria dos gestores, quando prometem construir novos hospitais e ou omitem dados para confundi a opinião publica, por vezes enganando até a mídia. Como se pode prometer construir novos hospitais se nem mesmo os já existentes oferecem condições plenas de funcionamento? Sim, nos grandes hospitais muitas vezes a questão espaço é algo relativo, até porque tivéssemos agora dez hospital e não houvesse uma maneira de segurar a população doente nas suas cidades de origem, a “ambulância terapia” os lotaria. Talvez a questão “recursos humanos” seja o “primeiro passo” rumo à reconstrução dos serviços públicos de saúde, eles (os gestores) já desconfiam disso, basta observarmos os comentários da “rede globo” e as varias e infrutíferas opções que o governo imagina sobre o caso, a mais conhecida: criar faculdades nas regiões carentes, perguntamos: um hospital (sem suporte de residentes) numa região longínqua da região norte ou mesmo no semiárido nordestino é condição “sine qua non” que haverá demanda de pacientes? Que super equipe atenderá por lá capaz de fazer as pessoas saírem de um grande centro e pra lá se dirigirem? A não ser que surgisse “um novo Chico Xavier” e que o mesmo fizesse parte da linha de frente da já citada super equipe; ainda mais absurdo, é ouvi na “mídia” as conjecturas e ou possibilidades de se trazer médicos do MERCOSUL para aqui atuarem, analisemos sem paixões: se eu me formo numa faculdade da região norte ou em outro país, as minhas experiências e capacitações são com as síndromes e patologias próprias daquela região; (imaginem um médico daqui da UFRN tratando uma malaria, pode até conseguir, mas não é fácil), então, se o cara fala outra língua, é o próprio “samba do criolo doido”; lembro o caso de dois médicos bolivianos que foram para o PSF duma cidade do seridó e a própria população procurou a prefeito para lhe dizer que “os doutor falam enrolado e têm uns remédios estranhos”. Portanto, não há formulas nem improvisos, quer resolver o problema Sr Gestor? Vá pelo mais simples, invista respeite e privilegie o quadro de funcionários, (isso inclui condições de trabalho e salário digno com a função), são eles que contatam diretamente com a população e centrifuga todos os interesses; é impossível abrir serviços de saúde se não há interessados em trabalhar por lá. Convenhamos, chega de desgaste e de engodo, mudem esse antigo e visado discurso.

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