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03/08/15

Acerca do Olhar

Por Drº Francisco Fábio - Diretor do Sinmed RN

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Sem sombra de duvida, sabemos que a maioria absoluta das informações que recebemos atualmente, vem através das imagens; o visual é a nova ordem, é a "tônica” desse século XXI. Os neuro fisiologistas já "mapearam” o trajeto luminoso da imagem através do nervo óptico até o nosso córtex cerebral, o olho nada mais é do que uma projeção do sistema nervoso central para fora da calota craniana e  em contato com o mundo.
 
As antigas civilizações (greco-romana) já classificavam o olhar em receptivo e o olhar ativo, ou seja, o ver por ver (quando recebemos sinais luminosos continuamente, involuntariamente). Já quando tentamos conhecer ou reconhecer, medir, caracterizar, praticamos o olhar ativo.
 
Portanto o ver no geral difere de ver após o olhar, mesmo que ambos usem as mesmas estruturas físicas: luz, olho, e condutores de estímulos elétricos entre o cérebro e o meio exterior. O pensamento filosófico há muito se preocupa com o fenômeno da visão.  
 
Em Fédon, Sócrates já dizia que a cegueira é a perda do olho da mente. Que dizer do olhar os pintores e escritores? Leonardo da Vinci fez da arte um elo entre o corpo e a alma. A tridimensionalidade das formas já era exercida por ele (Leonardo), divinamente bem, ainda na renascença (final da idade media).
 
Esse mesmo olhar renascentista, foi também exercido pelo filosofo Descartes, por Galileu (físico e astrônomo) e por Newton (cientista). Acerca do olhar, existem vários "tipos" de olhar, temos o olhar contemplativo; podemos ainda olhar com "religiosidade", que é aquele olhar com consideração, maravilhado; poderemos também olhar respeitosamente, tipo algo "temeroso", conhecido Também como "olhar do novo". 
 
A fenomenologia também cataloga o "olhar sob suspeita" que é aquele olhar que dispensamos a outrem quando vem ao nosso encontro, principalmente se "aquele próximo" é de uma classe social diferente, superior ou inferior à nossa. Como omitir desse texto, o famoso "olhar 43", aquele olhar sensual, da paquera, (quem nunca ouviu: vire o seu olhar 43 pra lá, me mire, mas, me erre).
 
Enfim, apesar de toda essa globalização e efervescência deste século, creio que ainda não perdemos o "olhar com bons olhos” (de aceitação) que é aquele com que registramos a evolução da ciência rumo à cura de muitas doenças, e aos múltiplos transplantes de órgãos que tantas vidas já prolongaram.
 
Na seara do "besteirol", não poderíamos esquecer-nos de registrar: o olho de peixe morto, olho gordo (que traduz quase sempre inveja), o olho comprido (que passa voracidade) e o "olho bichento” (agouro de enfermidade). 
 
Como não falar no olhar que os americanos chamam de "take care", quando olhamos com zelo e cuidado, esse tipo de olhar, é aquele que mais dispensamos as crianças, aos nossos filhos, ao nosso trabalho, a um projeto de vida, esse sim, seria o "olhar" que tanto queríamos que os nossos mandatários praticassem em relação a nós brasileiros.
 
A despeito do "olhar expressivo" do descaso que nos fere tão profundamente aqui em nosso país, acreditamos que o olhar no geral, condensa e projeta os movimentos, anseios e estados da alma!
 
 
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